SOCIO.BIO.DIVERSIDADE - termo criado por aqueles cujo o maior sintoma de sua economia manifesta-se em recortar, fragmentar, dividir, categorizar e precificar natureza e ser humano, de modo a maximizar os lucros das propriedades privadas.

Terminologias e instituições podem parecer progressistas até que se vire a página seguinte e aqueles e aquelas que detém o poder das canetas usem-nas para assinar as cartas que autorizam a morte da terra, com tudo que nela há. Pergunto-me o que é sociobiodiversidade, então. É Alexandre da Mussuca, Wellington Quilombola, Mãe Juvani, Janete, Ananias Viana, Selma, Bárbara e muitos outros que povoam minha mente nesse momento, falas que vêm de diferentes territórios e fazem ecoar uma só luta.

O peixe, a palha, a pólvora.
A ave, o rio, as crianças.
O tamanco, o barco, o dendê.

Trabalho, cultura e ancestralidade não se distinguem e não se apartam, mas forjam identidades que se sustentam da coletividade total. Humano e mais-que-humano.

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Na época de sua implantação, a barragem foi bastante criticada em seus aspectos
técnicos e econômicos, o local escolhido foi desaprovado por vários especialistas, sobretudo
por se sobrepor a uma falha geológica, denominada falha de Maragogipe. O receio era de que
o barramento ocasionasse uma catástrofe principalmente nas cidades de São Felix e Cachoeira,
localizadas à jusante da barragem (Palma, 2007).
Em condição de colonialismo permanente,

velhos senhores de engenho manifestam-se
nos poderes daqueles que decidem quando o rio enche
e quando o rio seca.

onde tem casa e onde não tem
onde se pode trabalhar e onde não se pode trabalhar.

a visão eurocêntrica sobre território diz: gente e natureza são coisas distintas.

A visão eurocêntrica sobre gente preta e território diz: mercadorias.

Na contramão dessas e outras tiranias, entre Cachoeira e São Félix correm vidas que ainda correm para o rio.
É uma ferramenta multidisciplinar de envolvimento territorial através das histórias que residem nas margens do Rio Paraguaçu. Envolver-se com o território do Recôncavo é aguçar os sentidos, dilatar os poros e tornar-se também a maré. A pesquisa da onde nasce o Carto.foto.grafar pretende organizar pedagogias criativas e participativas de espacialização dos conhecimentos que nos interessam através da arte. Aqui nos interessa: a defesa das águas, dos manguezais, da vida das coletividades - humanas e mais que humanas - que produzem a biodiversidade e que são por ela produzidas. Carto.foto.grafar novos mapas para trilhar novos caminhos.

Para cima, para baixo, pro lado e pro outro, essa página pode ser explorada da forma como você escolher.
2 ou 3 histórias sobre o Rio Paraguaçu
LOCALIZA AÍ - ao pisar pela primeira vez em um chão desconhecido, o que nos faz sentirmos localizados? De que forma podemos estabelecer alguma noção de onde estamos? Para alem de inquietações geográficas, localizar-se é uma relação de profundidades com as aguas, pessoas, caminhos; com os pedaços de historia de cada esquina, beco, encruzilhada. Afinal, GoogleMaps nem MapaMundi não são capazes de nos dizer para onde ir.
BARRAGEM PEDRA DO CAVALO - VOTORANTIM AO NORTE
ESTALEIRO ENSEADA DO PARAGUAÇU AO SUL
com a lei 9433/97, os comitês das
bacias hidrográficos seriam criados na tentativa de integrar os múltiplos usos da água,
fragmentados no processo mencionado.
Me conta uma história sobre o Rio Paraguaçu?
Me manda um email em marianaisla.vo@gmail.com
ou fala direto comigo no whatsapp: 79 981597876
O artigo 152 institui o direito de indenização para a população ribeirinha atingida, e
ao mesmo tempo demonstra que a ideologia estatal tem como tônica dominante a efetuação de
conversões do valor simbólico do rio e das águas a um valor essencialmente econômico
Esse dispositivo é meu e é seu. É para que possamos pensar um pouco a partir de nossas próprias referências o quanto somos feitos de tudo que ao redor respira.





Dentro deste enquadramento
normativo fica explícito que a empresa Votorantim está infringindo ás normas do Código, em
particular o artigo 143, pois está colocando em risco de segurança alimentar as comunidades
do Baixo Paraguaçu, em virtude da drástica redução do pescado e mariscos.
Experimento de pesquisa audiovisual. Um olhar reconfigurado ao território. Cultura, biodiversidade, conflitos... quantas histórias cabem em um estuário?
O artigo 143 do capítulo III do Código infere que “Em todos os aproveitamentos
de energia hidráulica serão satisfeitas exigências acauteladoras dos interesses gerais: a) da
alimentação e das necessidades das populações ribeirinhas; b) da salubridade pública; c) da
navegação; d) da irrigação; e) da proteção contra as inundações; f) da conservação e livre
circulação do peixe; g) do escoamento e rejeição das águas”.
Impelida pela nova incumbência administrativa e principalmente mediante
mobilizações locais, a categoria “comunidades tradicionais” passa a ter existência
administrativa desde 1992 quando o Centro Nacional de Populações Tradicionais (CNPT) foi
criado como uma inovação do órgão do IBAMA (Marinho, 2012).